sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

  Um dia:
  - Você sabia?
  - O quê?
  - Que ela escreve poesia?
  Sentia: tum-dum, tum-dum, tum-dum, batia.
  Agora, o dele, ao olhar dela correspondia. Coraram.
- Caralho! - bateu a mão na mesa.
- O quê!?!
- Que dia lindo, porra! - olhando pela janela.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Tudo já está lá,
até pedaços de nós,
farelos lapidados do cosmos
e das pedras duras,
das conchinhas do mar.
E as marias-farinha de olhos-antenas cavam jogando areia pela diagonal.
Vai queijinho, patrão?

Senhor,
não me permita te pedir coisa alguma
para que tu mesmo não me concedas nada
porque tu sabes e eu já sei que tudo já é meu
sabendo que tudo é nosso e de todos
mas, que há coisas só minha que tenho de lidar
que existem somente, e por pouco tempo, como caminho para que nos encontremos.

Senhor,
deixemos de nos tratar como Senhor
porque o Senhor e eu somos o mesmo
e não quero mais te tratar como outro
não quero mais que esse engano seja necessário
e, se não me engano, esse não querer condiz com o teu querer
passando, assim, a ser um único querer
e quando queremos juntos sinto que sempre quis sem querer.

E, assim, não pediremos mais nada.
cheio de mim
esvaziei
inteiro meu, sumi
o mar
lapida o cosmos
até grãos de areia

terça-feira, 15 de outubro de 2013

    A gente veste o mundo com palavras. E pra isso cada um usa a roupa que tem, que precisa. Agora..., quando se deixa o mundo nu o que se vê é um tudo misturado, não separado. Cada um encontra uma parte do mundo pra vestir com as palavras, criando um vício de querer o mundo assim, vestido com as roupas. De início a gente fazia isso pra adorar mais ainda o mundo, depois virou necessidade e depois mania. Daí, alguns - já alguns - começaram a vestir o mundo a partir do que percebiam que era possível ser visto como separado, isso para mostrar aos outros alguns o que tinha percebido de detalhe no meio daquele tanto de tudo. Isso separou a gente do mundo, ficamos mais com as palavras, um mundo de palavras. Mas, quando fazemos silêncio, quando tiramos as palavras das nossas cabeças, a gente revê o mundo pelado, escapando por todos os lados e daí podemos novamente nos sentir dentro dele e - com ainda mais silêncio - lembramos que também somos ele... shhh... chega de tanta palavra...