domingo, 8 de fevereiro de 2009

contosinhosos 1

- João, corre aqui! Corre aqui imediatamente!
O desespero bate, cê larga a louça e a torneira aberta, corre pra acudir, tropeçando nos dois degraus da casa.
- O quê!?!... O quê!?
- Olha que céu mais lindo! - ela fala.
- Pôrra, Marta! - cê fica puto...! Mas não era que o céu tava lindo mesmo!
Urgente!
Gentil gente alfineta,
muro cai.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Há uma polêmica: estão afirmando que é laranja, e o Mi que seria amarelo. Bem... talvez seja um laranja bem claro, diria.

Líder trotskista, carteiro Besancenot funda Partido Anticapitalista na França


Líder trotskista, carteiro Besancenot funda Partido Anticapitalista na França

CÍNTIA CARDOSO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

O NPA, Novo Partido Anticapitalista, estreou ontem na política francesa após a dissolução da LCR (Liga Comunista Revolucionária), movimento trotskista com 40 anos de existência. "Nosso objetivo é mobilizar todas as forças que queiram sair da era do lucro e abrir o caminho para uma sociedade inédita e mais justa", declarou Olivier Besancenot, 34, líder do partido.
Um congresso de três dias em Plaine-Saint-Denis, periferia de Paris, vai lançar as linhas gerais do movimento. De acordo com o NPA, já há 11 mil pedidos de inscrição de militantes de várias tendências na extrema esquerda. A LCR tinha 3.200 filiados.
A proposta do NPA é oferecer uma alternativa à esquerda tradicional francesa, representada principalmente pelo Partido Socialista. Com divisões internas, o PS tem dificuldades de impor uma oposição eficaz ao presidente conservador Nicolas Sarkozy.
As outras formações da esquerda francesa -o PC e o Partido Verde, por exemplo- perdem espaço nas urnas. E o recém-criado Partido de Esquerda tem pouca projeção nacional. "A esquerda institucional não resiste [aos ataques do capitalismo]. Quando ela está no poder, conduz políticas que viram as costas para as aspirações populares", diz o manifesto do partido.
Na eleição presidencial de 2007, a candidata comunista Marie-George Buffet teve apenas 1,93% dos votos. Besancenot, que concorreu à Presidência pela segunda vez, obteve 4,1%. Pesquisas indicam que hoje o potencial de voto em Besancenot é de 15%, mas, quanto à afinidade ideológica dos eleitores com o NPA, o potencial de votos cai para apenas 3%.
Formado em história e ex-carteiro, Besancenot imprime ao seu discurso notas de marxismo e slogans antiglobalização. Ele é presença constante na mídia e em manifestações. A crise econômica aumenta a popularidade do porta-voz do NPA, que defende aumento dos salários, sanções contra empresas que demitem e divisão prioritária dos lucros para os empregados, não os acionistas.
Em entrevista ao "Libération", Besancenot reconheceu que a nova formação tem um forte componente de "utopia". Sobre seu ideal de sociedade ele declarou: "Seria um modelo no qual a maioria decidiria sobre o controle e a apropriação das riquezas. Não falamos apenas de partilhar melhor [as riquezas], mas nos questionamos sobre a questão da propriedade".

http://fr.wikipedia.org/wiki/Olivier_Besancenot

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Ré é amarelo claro?

Conversão

Estava – aquele sujeito – sujeito, de novo, ao novo. Assobiava um canto no canto da sala de recepção pensando na nova descoberta: “Se estivesse em outro lugar, mesmo tendo a mesma forma, seria outro”. Quando o porteiro – soldado – marcou, correu pro elevador. Entrou no corredor em segundos, andou até o segundo andar e bateu no quarto quarto. Ninguém estava, arrombou e caminhou até a caminha que ainda chamava as piras que alimentara por tantos meses a chama da pira. “O último encontro que tivemos foi o último”, decidiu. Cravou no colchão um cravo e uma rosa rosa-claro onde encontrou um cheiroso bilhete. Não era seu. Leu. No verso dos versos, viu dois nomes: Ligia versus Mauro. Bordados por um coração de caneta vermelha. “Cobra!”
Nunca, ou – sem extremarmos – jamais, no passado ou presente havia pensado em presentear aquela garota com algo tão presencial e marcante. Sempre, por todo o tempo, a cada instante sem exceção, em tudo que fizera, fora amarga sua docilidade. E agora o que lhe restava era a parte não consumida, não a sobra, mas o que desprezaram quando não escolheram depois de cobrado.
Saiu bufando, rasgando a grama alta, o mato. “O mato”. Há horas perdera o almoço, tonteava. Pra subir a pressão, comprou um doce, quando deu com o inapetite: “como como?”. Pensava no primeiro encontro: num ônibus, aquela menininha de sardinhas soando naquela lata de sardinha, de saia, ele saindo da hora do almoço, com a manga toda suja de manga – não poupou nem a polpa – desgrenhado, coçou o papo mal tosquiado, ensaiou e aventurou um papo: “Opa!”, “Oi”, ela respondeu. Jogou o suspiro, suspirou, pediu um suco. No balcão do boteco, uma traça cinzenta traçava um traço torto num guardanapo sujo. Mais devagar no ódio, concluiu que estaria surtando: “Todos são tão sãos e eu despertando um acordo adormecido, enganchado numa coisa que já não existe há quinze anos.” E quando ele se viu, só se viu. Abismo, babou. Bem no meio da afobação arranjou um meio de sair dela:
Nunca contou, a ninguém, que contou a terça parte de sua parede central e lá pregou um terço sem ninguém precisar lhe pregar uma grama. O sol de caminhão, de monte, montado em cima de um monte de montes montados pelos arranha-céus espremidos, se via da sacada. Sacou: a vida, uma arma! E nunca mais orou, nem por dentro nem pra fora.

Se fazem pouco d'eus poraí,
um por encarnação.
E daí fazem pouco d'eu poraí.